Cuidados a Ter com o Pé Diabético

Cuidados a Ter com o Pé Diabético

Provavelmente já ouviu falar de pé diabético. Esta designação é dada a pés que apresentam consequências da diabetes, normalmente associadas a neuropatia ou doença arterial. Devido à quantidade de pessoas com pé diabético e às suas possíveis complicações severas, todos os diabéticos devem ter cuidados especiais com os seus pés.

Abordemos então o que é o pé diabético e quais as medidas de prevenção que se podem adotar.


O Pé Diabético

O pé diabético é uma condição muitas vezes silenciosa. É portanto do interesse de todos conhecer as suas causas, sintomas e possíveis complicações.

Causas

A neuropatia periférica diabética e a doença arterial periférica são consequências da diabetes e as duas maiores causas do pé diabético. As duas condições podem existir isoladamente ou em conjunto.

Vários fatores de risco contribuem para o aparecimento de complicações do pé diabético. Destaquemos controlo insatisfatório da glicemia, duração prolongada da diabetes, idade e altura do diabético, consumo de álcool e tabagismo. Enquanto alguns destes fatores de risco não são controláveis, outros podem e devem ser controlados.

Sintomas

Os sintomas variam imenso dependendo das causas do pé diabético. É até possível que o pé diabético não apresente quaisquer sintomas, devido tanto a inatividade como a neuropatia periférica. É importante ter em atenção que um diabético sem sintomas também está sujeito às complicações do pé diabético e deverá portanto tomar as medidas de prevenção que lhe são sugeridas.

Dito isto, abordemos alguns dos possíveis sintomas do pé diabético. O pé diabético por neuropatia periférica diabética pode produzir perda progressiva da sensibilidade no pé e o aparecimento de sensações desconfortáveis como ardor, formigueiro e dor. Quanto ao pé diabético resultante de doença arterial periférica, os possíveis sinais e sintomas também incluem dor, assim como claudicação intermitente (dificuldade em andar), frio nos dedos e pés, pele e unhas irregulares e, ausência de pelos nos pés e nas pernas.

Complicações

A amputação é uma complicação severa e comum do pé diabético. Na maioria dos casos, as amputações associadas à diabetes podem ser evitadas através de medidas de prevenção.

O processo que leva à amputação inicia-se, na vasta maioria dos casos, pelo aparecimento de uma úlcera no pé diabético. As úlceras estão muitas vezes associadas a neuropatia, a doença vascular e a um trauma. A cicatrização da úlcera no diabético é lenta, podendo evoluir para uma infeção. A úlcera infetada que não se consegue tratar pode então levar a uma amputação do pé ou até mesmo de uma porção maior do membro inferior.

A artropatia de Charcot é outra complicação do pé diabético, associada à neuropatia periférica diabética. Esta condição não infecciosa leva à destruição dos ossos e articulações.


Prevenção de Complicações

Embora existam fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento de complicações do pé diabético, existem também estratégias que os diabéticos podem adotar para as prevenir.

Os pés de diabéticos sem neuropatia ou doença arterial também beneficiam de adotar estas medidas por duas razões. Primeiro, algumas delas também previnem o desenvolvimento de pé diabético. Por outro lado, o pé diabético é muitas vezes uma condição silenciosa e o diabético pode desenvolvê-la sem se aperceber. Assim, antes prevenir do que remediar já na presença de complicações.

Controlo da glicemia

O controlo insatisfatório da glicemia é um fator de risco tanto para o desenvolvimento de pé diabético como para o aparecimento de complicações. É particularmente importante limitar situações de hiperglicemia devido à sua toxicidade.

Redução do consumo de álcool e cessação tabágica

Tanto o consumo de álcool como o tabagismo são fatores de risco que o diabético pode minimizar. Promove-se assim uma redução do consumo de álcool e uma cessação total do tabagismo.

Consulta

As consultas de diabetes e de pé diabético servem tanto para prevenção como para tratamento. A regularidade das consultas de pé diabético dependem da condição de cada um. Casos menos severos têm uma consulta por ano, enquanto que diabéticos com maior risco podem chegar a ter uma consulta por mês.

Essencial em qualquer consulta de pé diabético é a observação e avaliação efetuada pelo profissional de saúde. Desta forma é definido o grau de risco do diabético para o desenvolvimento de complicações assim como o seu plano de tratamento específico.

Alguns métodos preventivos que poderão ser incluídos nestas consultas regulares são o desbridamento de calos e calosidades e o tratamento de outras lesões da pele e das unhas, de infeções e de micoses.

O tratamento de úlceras existentes é crucial e não deve ser descuidado. Caso a úlcera não seja devidamente tratada, pode resultar em amputação. Dependendo do tipo de úlcera, existem várias técnicas de tratamento que poderão ser utilizadas. A confiança no profissional de saúde é importante durante este processo, sendo que o diabético deverá fazer tal e qual lhe é instruído.

Calçado

A deformação estrutural dos pés é um dos fatores de risco para o aparecimento de úlceras em diabéticos. Em alguns casos, a deformação é tão severa que requer intervenção cirúrgica. Noutros, a utilização de calçado adequado, palmilhas criadas à medida ou outros equipamentos ortopédicos são suficientes para aliviar a pressão criada em certos pontos do tornozelo e do pé.

O diabético pode utilizar a estratégia da sola de papel para escolher o calçado adequado para a sua situação. Eis os passos a tomar:

  1. Colocar o pé em cima de uma folha de papel
  2. Desenhar o contorno do pé na folha de papel
  3. Recortar a folha de papel ao longo da linha do contorno do pé
  4. Introduzir a sola de papel dentro do calçado que pretende comprar. Caso a sola de papel saia amarrotada, o sapato não é adequado à forma do pé.

Para além desta estratégia, existem outros pontos a ter em consideração na escolha de calçado para o pé diabético.

  • Deve ser espaçoso, com espaço para os dedos
  • Deve ter uma parte de cima maleável
  • Deve ter uma sola firme de borracha
  • Deve ter atacador ou fecho tipo Velcro
  • Não deve ter costuras internas
  • Não deve ter um salto com mais de 5 cm de altura

Quanto às meias, estas devem ser sempre lisas e sem costuras de forma a evitar a pressão sobre pontos específicos do pé, tornozelo e perna. Em termos de cor, deve-se optar por cores claras que permitam ver o sangue resultante de uma possível ferida no pé diabético.

A utilização de botijas de água quente é contra-indicada devido às possíveis alterações de sensibilidade. Pode-se então recorrer a meias e sapatos mais quentes como alternativa.

Cuidados Diários

O cuidado diário mais importante que iremos abordar é a observação do pé diabético, dando atenção a qualquer alteração encontrada. Esta observação deve incluir tanto o dorso como a planta do pé. A ajuda de um espelho ou de outra pessoa pode ser essencial em alguns casos.

Em termos de higiene, é aconselhável lavar os pés diariamente com água tépida e sabão azul e branco. Esta lavagem deve ser rápida e imediatamente sucedida da secagem da pele. Para secar a pele pode-se utilizar uma toalha macia, assim como papel higiénico nos espaços entre os dedos.

Hidratar e lubrificar o pé diabético diariamente com creme hidratante com ureia e creme gordo é essencial para manter uma pele saudável.

Quanto às unhas, estas devem ser cortadas a direito e de forma a não ficarem muito rentes. Os cantos das unhas devem ser limados com uma lima de cartão. Nenhum dos instrumentos utilizados (tesouras, alicates, limas) devem ter pontas aguçadas.

Mover as articulações do tornozelo e do pé diariamente reduz o risco do diabético para o desenvolvimento de úlceras. Esta mobilização serve tanto de prevenção como de tratamento em certos casos.

É também importante continuar os tratamentos regulares de calos, calosidades, infeções e micoses indicados por profissionais de saúde.

Para além de utilizar calçado adequado à sua situação, o diabético deverá inspecionar tanto o calçado como as meias antes de os calçar. Desta forma garante que não existem objetos que possam magoar os seus pés.


Demos-lhe muita informação acerca do pé diabético. Acima de tudo, caso tenha diabetes, aproveite as consultas que lhe são disponibilizadas. Os profissionais de saúde são aqueles que melhor o podem aconselhar. Tenha em conta os conselhos dados e ponha-os em prática diariamente. Ao longo do tempo, os cuidados diários que terá com os seus pés tornar-se-ão parte da sua rotina e não constituirão qualquer esforço adicional.


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